Os dois tons da ministra Dalmare Alves

Se senhora Damares Alves tem suas convicções pessoais, religiosas, filosóficas etc., é um direito dela, mas daí impor suas impressões enquanto cidadã como política de Estado sem considerar a diversidade sociocultural de um país como o Brasil é de ignorância sem tamanho e coloca em dúvida a sua capacidade para conduzir cargo o qual ocupa na Esplanada dos Ministérios.

Confesso que não sei bem o contexto em que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, soltou a pérola “menino veste azul e menina veste rosa”, mas isso pouco importa. A declaração não foi apenas infeliz como é para lá demodê.

Não escondo que sou meio conservador em algumas questões e não sei, por exemplo, como reagiria se ao chegar em casa visse meus filhos homens brincando com bonecas. E sou do tempo em que, quando os bebês nasciam, eram recebidos com enxovais em azul ou rosa conforme o sexo. Mas o tempo passa, as coisas mudam e mudam o tempo todo.

Nesse sentido, não pega bem para uma ministra de Estado dizer o que meninos e meninas devem vestir, com que devem brincar, com quem namorar e por aí vai.

Se senhora Damares Alves tem suas convicções pessoais, religiosas, filosóficas etc., é um direito dela, mas daí impor suas impressões enquanto cidadã como política de Estado sem considerar a diversidade sociocultural de um país como o Brasil é de ignorância sem tamanho e coloca em dúvida a sua capacidade para conduzir cargo o qual ocupa na Esplanada dos Ministérios.

A continuar com essas declarações que beiram à bizarrice, a ministra Damares Alves corre o risco de ser linchada na rua, pois há meninos e meninas, “meninos-meninas”, “meninas-meninos” e ainda “transmeninos-meninas”, que ficam muito zangadinhos quando desdenhados na sua condição de gênero e orientação sexual.

É melhor falar menos e procurar trabalhar mais, minha cara Damares.

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