A polêmica em torno do “Mais Médico” é a prova de que o Brasil está esquizofrênico

Todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Em 1994, o Governo Federal lançou o Programa de Saúde da Família (PSF).

O PSF surge como estratégia de reorganização e reorientação do modelo tecno-assistencial de saúde no país.

Segundo especialistas, a concepção do PSF visou “substituir o modelo ortodoxo, hospitalocêntrico e curativista, por um modelo de respeito à integralidade e a universalidade da assistência, atendendo aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).” (Cfe. Portal da Educação).

Já em 2003, Governo Federal, sob a presidência de Dilma Rousseff, lança o Programa Mais Médico (PMM), com o objetivo de ampliar o número de médicos nas regiões de maior vulnerabilidade social e sanitária, tanto em municípios pequenos ou médios porte, quanto na periferia dos grandes centros, por meio de uma chamada pública para contratação desses profissionais para a rede de atenção básica – em verdade, o PMM já nasce em meio a polêmica de contratar médicos estrangeiros, na sua maioria cubanos.

Polêmicas à parte, o PMM pode ser considerado um produto bem sucedido do PSF, que tinha o conceito de atendimento de saúde assistida no modelo justamente de Cuba, cuja humanização médica é uma das principais características.

Agora é anunciado o fim do Mais Médico, pelo menos nos moldes do que foi concebido em 2013 com o governo do PT.

O Brasil esquizofrênico

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, via redes sociais, que: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”.

De uma forma de outra, o Programa Mais Médico traz no seu DNA uma, digamos, carga ideológica que não pode ser ignorada e vem desde o Programa de Saúde da Família.

Com o fim do PMM “petista”, algumas questões fundamentais devem ser colocadas: “Morre” o programa ou o conceito é que será modificado? Outra: O futuro governo Bolsonaro tem a dimensão exata do que pode acontecer com a saúde do país se os médicos cubanos resolverem deixar o país imediatamente? E a última: Quantos desses profissionais cubanos estão dispostos a desertar da “Ilha” e continuar no Brasil com o PMM sob uma nova realidade?

De qualquer forma, todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Ninguém se entende mais. Todos são contra a qualquer coisa que vem do “outro lado”, sem falar nos oportunismos políticos e no festival de hipocrisia que impera na sociedade.

A impressão é de que o Brasil se transformou numa espécie de Maranhão onde tudo é resumido em ser “isso” ou “anti-isso”. Não há mais ponto de equilíbrio!

Nosso país precisa de um divã.

O problema é saber quem seria o terapeuta ideal…

12 comentários sobre “A polêmica em torno do “Mais Médico” é a prova de que o Brasil está esquizofrênico

  1. Teresa disse:

    Então voce acha que trabalhar e ver o resultado do seu trabalho ir para “outras mãos” (do ditador e sua família) é justo? Você se sujeitaria a trabalhar e “dar 75% do seu salário ao seu governador? Ser “forçado” a trabalhar em outro país e não poder levar à sua família, Não né? Então deixemos de hipocrisia e procuremos ver como resolver a situação da saúde no Brasil sem passar por trabalho escravo venha de onde vier. Se esse projeto maligno e escravagista tivesse sido elaborado pela Direita, os esquerdopatas há muito já estariam com processos junto à ONU e aos Direitos Humanos!

    • Robert Lobato disse:

      Resposta: Onde está que eu disse que concordo “que trabalhar e ver o resultado do seu trabalho ir para “outras mãos” (do ditador e sua família) é justo? Você se sujeitaria a trabalhar e “dar 75% do seu salário ao seu governador?”. Acho que você não entendeu.

  2. joaozinho disse:

    A esquizofrenia anti-PT elegeu um cara que “CAGA PELA BOCA” , basta ver a bobagem de anunciar transferência da embaixada para Jerusalém, trazendo para o Brasil o briga que não é nossa. Está empolgado/abestalhado e quer imitar o Trump; alguém precisa lembrar a ele que os EUA são o país mais rico e poderoso. Que pinto que acompanha pato no alagado se afoga kkkk

  3. ronie disse:

    Dona Teresa, converse com um Médico Cubano. 99% deles tem absoluta discordância do que você está dizendo . Eles acham que só são médicos porque há um povo e um tipo de sociedade que custeou sua formação e eles tem que dar a contra-partida. Eu entendo a razão do voto no candidato louco que vocês elegeram, mas tente desapegar e evite defender qualquer merda que ele fizer, pois você vai se cansar, pois está só começando.

    • Robert Lobato disse:

      Resposta: Quero ver quantos cubanos vão ficar no Brasil. Essa crise no Mais Médico vai por em prova o sistema cubano, pois se muitos ficarem, principalmente os solteiros, vai dar o que falar.

  4. júnior disse:

    Se os médicos brasileiros aceitarem trabalhar nos interiores e periferias o problema seria de fácil solução, mas como são metidos e querem ficar milionários, jamais se submeterão a isso ganhando pouco, então pelo visto os menos favorecidos serão os únicos prejudicados, e os medicos brasileiros deviam também da uma contribuição pelo investimento feito neles com nosso dinheiro de impostos que sustentam as universidades publicas, prouni e fies.

  5. ronie disse:

    Caro Robert, sou crítico a qualquer ditadura, mas acredito que retornarão a Cuba mais de 95% . Ficarão aqui de 150 a 300 profissionais. Muitos solteiros voltarão. A maioria tem uma mentalidade completamente diferente do médico brasileiro, pois este, já na faculdade é ensinado a buscar o status em detrimento do juramento hipocrático.
    A maioria absoluta dos médicos cubanos a credita que deve ao seu país a contra-partida da formação que lhe foi dada.

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