Tudo envolve dinheiro

A maneira como você se relaciona com o dinheiro tem a ver com a sua história de vida

A nossa relação hoje com o dinheiro tem a ver com a nossa história | Crédito: Shutter

Kátia Avelar, via Vida Simples

Recentemente, enquanto aguardava o momento de dar uma palestra sobre construção da reserva financeira, numa grande empresa e para um público diversificado, passaram 2 pessoas por mim e uma falou para outra: “Tudo envolve dinheiro.” Imediatamente pensei: nossa que coincidência … e comecei a pensar em muitas coisas. Em que contexto elas estavam falando: vida pessoal ou trabalho ? Mas em seguida, concluí que isto era o que menos importava e o interessante foi que os meus pensamentos não pararam mais, coloquei algumas ideias num papel e já para a palestra levei este olhar tão humano sobre uma questão tratada em geral como exata, racional, “preto no branco”.

E daquele dia até hoje, este artigo começou a ser gerado !

Acompanhe-me nas situações a seguir, extraídas das páginas do meu diário.

Em casa … por volta dos meus 15 anos, meu pai servidor público passou a receber o seu salário com atraso por conta de problemas gerados pela gestão indevida do fluxo de caixa. Naquela época, não tinha conhecimento do que isto significava, mas foi uma lição de educação financeira para mim e minha família. Eu aprendi a negociar, pedir desconto na escola para compra das minhas apostilas, comprar produtos para revender, ser econômica. Meus pais, eu e minha irmã, fortalecemos nossos laços através do diálogo sobre o que estava ocorrendo e como podíamos contribuir com soluções para superar aquele momento.

Com os amigos … já na faculdade, tínhamos amigos que vinham de longe para estudar e suas economias para almoçar e fazer lanche eram “contadas”. Eu podia almoçar em casa todos os dias e lanchar o que eu quisesse, era maravilhoso. Aprendi como há diferenças econômicas e que saber conviver com elas, permitiu-me exercitar o sentimento de gratidão e do pensar transformador para contribuir com o processo de melhoria na sociedade, começando nos círculos de amizades. E até hoje, num simples chopp, a flexibilização do padrão de consumo em prol da participação de mais amigos é um exelente exercício para saber adaptar-se e ajustar a trajetória financeira nos diferentes momentos da minha vida.

No trabalho … numa equipe, além dos diferentes níveis salariais, cada um traz a sua história de vida e saber ouvir e acolher um colega de trabalho é mais uma oportunidade de ser solidário e de ajudá-lo a encontrar a forma de equilibrar a sua vida, incluindo as finanças. E isso foi um laboratório para construção do meu programa de finanças pessoais – o Detox dos Gastos.

No exercício da espiritualidade … vejo o dízimo como uma forma de expressar minha gratidão pelo que tenho e contribuir com as finanças sociais. Forma de movimentar o meu dinheiro e alimentar o fluxo da abundância em minha vida e na economia em geral. Não é mágica, é ação através da valorização das diferentes utilizações do dinheiro no dia a dia.

E nesta ciranda da vida, as tarefas do dia a dia são executadas através de ações individuais e relações humanas onde o afeto e o dinheiro são condutores que mantém a dinâmica na vida de cada um: objetivos são definidos e o acúmulo de patrimônio financeiro é o meio para exercermos a nossa liberdade de escolha.

Os conceitos, indicadores, produtos de investimentos podem ser adquiridos através da educação financeira e de um especialista que te oriente. O planejamento financeiro será o mapa para realizar os seus objetivos e o profissional um facilitador na clareza da sua dinâmica diária de lidar com a sua renda. Mas é a sua história de vida que produzirá necessidades, desejos e sonhos que são únicos e podem mudar com o tempo. Por que ? Pelo simples fato de que viver de forma abundante e próspera está à disposição de todos, mas cada um tem que “ajustar as velas do seu barco” – a vida que deseja ter e proporcionar aos que ama, a cada momento.

E agora, faz mais sentido o Prêmio Nobel 2017 ser dado para um trabalho no ramo da economia comportamental ? Então, como ressaltou o mestre Richard H. Thaler: “Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas”.

Em uma era, em que as relações humanas estão passando por crises, reflexões e transformações, entender primeiro da porção humana em tudo na vida, é a chave para transformar realidades falidas em oportunidades de realização. Arrisco dizer que é a saída para os desequilíbrios instalados e intensificados nos últimos 15 anos no mundo. E cabe a cada um de nós, vivermos nossa humanidade, entender nossos limites, fortalecermos com o aprendizado e definirmos nossos processos de mudanças e vida com propósito !

Então, mãos à obra que o dinheiro está presente em tudo e é apenas mais uma questão a conhecer e desmistificar na sua vida !

* Kátia Avelar é economista e mestre em Economia, consultora em Finanças Pessoais. Trabalhou por 25 anos no mercado corporativo e há 2 anos criou o Detox dos Gastos. Conteúdos e trabalhos desenvolvidos são compartilhados no perfil do instagram @katia_avelar e em https://www.facebook.com/detoxdosgastos/

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