“O grande desafio é realinhar o partido com seu projeto nacional”, diz Roberto Rocha sobre a nova fase do PSDB no MA

O senador e pré-candidato ao Governo do Maranhão está confiante no realinhamento do tucanato local e acredita que o partido sairá mais fortalecido após o processo de intervenção nacional.

O senador Roberto Rocha (PSDB) concedeu entrevista ao jornalista Paulo de Tarso, publicada na edição do jornal O Imparcial, desta quinta-feira, 09.

O agora presidente estadual do PSDB falou sobre o momento pelo qual o partido passa no estado e os desafios para unir os tucanos maranhenses. “O grande desafio é realinhar o partido com seu projeto nacional”, sustenta.

Questionado se não teme que o processo de intervenção nacional possa levar os descontentes procurar a Justiça, Roberto Rocha afirmou que o PSDB “se fortalece ao jogar na arena política suas divergências”, mas que lamenta que os tucanos locais possam vir a ser “vítimas e os algozes da chamada judicialização da política”.

Confira a íntegra da entrevista.

Roberto Rocha: marchando com os tucanos.

Senador, o que significa voltar ao comando do partido em meio a esse clima de guerra criado com o Carlos Brandão?

Não há clima de guerra. Há visões diferentes do papel do partido e da responsabilidade institucional em relação a um projeto de Nação. O Brandão entende que as circunstâncias e as vicissitudes locais podem se sobrepor ao projeto nacional do PSDB. O comando do partido, em Brasília, entende que o alinhamento local perdeu sua razão histórica e precisa ser rearticulado à luz do cenário político grave que se criou no país e que contrapõe, como inconciliáveis, o PSDB e o PCdoB. Isso não é nem ao menos uma originalidade do PSDB. Acontece em muitos partidos essa tensão entre o nacional e o regional. E para isso existem instrumentos estatutários em todos os partidos para superar essas diferenças. São esses instrumentos que estão sendo avocados, no momento.

Quais são seus desafios estando nessa comissão provisória? Quanto tempo será seu mandato e como fica a convenção marcada pro dia 11? Foi suspensa?

O grande desafio é realinhar o partido com seu projeto nacional. O tempo de duração da Comissão Interventora será apenas até o julgamento final da Representação impetrada pelo ex-prefeito Sebastião Madeira. Agora, corre o prazo para as alegações de defesa do Brandão. Ainda não há uma decisão sobre a Convenção do dia 11 mas a prudência sugere que ela deva ser remarcada para uma data posterior à decantação desse processo em curso.

Como o senhor avalia as críticas que o senhor recebeu por parte do Brandão?

Fazem parte do jogo político. O que eu lamento é a crítica pessoal, usada por penas alugadas, apenas com o intuito de desqualificar as pessoas. Esse é o tipo de política que não faço.

O senhor foi o pivô para essa guerra dentro do PSDB? Quem é o culpado para essa crise?

Não há culpas, há consequências pelas atitudes tomadas. Na verdade o que se está fazendo é evitar uma crise muito maior, de identidade partidária.

O PSDB não fica fragilizado com esta intervenção? O senhor teme que o Brandão estenda essa disputa para a justiça?

Ao contrário, o partido se fortalece ao jogar na arena política suas divergências. Eu não temo a intervenção da Justiça. Eu apenas lamento que nós políticos sejamos as vítimas e os algozes da chamada judicialização da política. Mas acho que o entendimento sobre a jurisdição partidária é remansoso, como dizem os advogados. Ou seja, é tranquila a compreensão e a jurisprudência quanto à autoridade partidária para intervir nas suas estruturas internas, em defesa de sua integridade, disciplina, fidelidade e ética partidária.

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