Flávio Dino vetou mais de R$ 12 milhões em emendas de oposicionistas para a Saúde

Governador, que reclama de forma como senadores querem emendar o Orçamento da União, não libera valores indicados por deputados estaduais que lhe fazem críticas na Assembleia

Flávio Dino bate bola com Márcio Jerry, mas não compartilha nada com membros da oposição (Foto: Arquivo)

Gilberto Léda, para O Estado do Maranhão

Envolvido em uma polêmica depois de acusar a bancada maranhense no Senado de manobrar para não enviar aos municípios do Maranhão recursos da ordem de R$ 160 milhões referentes às emendas de bancada, o governador Flávio Dino (PCdoB)
foi duramente criticado por parlamentares em todos os níveis.

Na quinta-feira, 19, o comunista foi às redes sociais reclamar dos senadores Edison Lobão (PMDB), João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB). Disse o governador que os representantes do Maranhão se recusaram a cumprir um acordo que garantiria que a totalidade dos recursos seria destinada ao Governo do Maranhão, para então ser reencaminhada às prefeituras – para investimentos na área da Saúde.

Ainda segundo o chefe do Executivo estadual, os senadores querem que metade do valor seja destinado segundo a conveniência de cada um dos parlamentares.

“Um absurdo que uma parte da bancada federal negue uma emenda parlamentar e prejudique a saúde dos municípios, supostamente para me atingir”, escreveu.

A postura de Flávio Dino gerou rápida reação dos três senadores – todos criticando a tentativa de ingerência do governador em questões que dizem respeito exclusivamente à bancada. Apesar da insurgência do comunista, o Estado ficou mesmo só com R$ 70 milhões dessas emendas de bancada – os outros R$ 90 milhões chegarão aos municípios via Codevasf.

Além disso, deputados que fazem oposição ao governo na Assembleia Legislativa argumentaram que o comunista não tem legitimidade para reclamar da destinação de emendas, quando ele próprio não libera aquelas apresentadas pelos oposicionistas pelo que consideram revanchismo político.

Levantamento de O Estado aponta que os deputados têm razão. Cada um deles tem, atualmente, direito a indicar até R$ 3,5 milhões em emendas ao Orçamento – esse valor era de R$ 3,150 milhões em 2015 e 2016.

Em 2017, no entanto, o governador já deixou de destinar mais de R$ 7 milhões para a Saúde de municípios maranhenses ao não liberar emendas de pelo menos cinco deputados de oposição. O comunista vetou integralmente as indicações dos deputados Adriano Sarney (PV), Andrea Murad (PMDB), Edilázio Júnior (PV), Sousa Neto (Pros) e Eduardo Braide (PMN).

Num dos casos de maior destaque recentemente, Dino foi alvo de fortes criticas por não liberar mais de R$ 1 milhão à Fundação Antônio Jorge Dino, mantenedora do Hospital do Câncer Aldenora Bello. Para a unidade, foram destinadas emendas de Andrea Murad (R$ 200 mil), Edilázio Júnior (R$ 200 mil) e Eduardo Braide (R$ 700 mil).

“Desde 2011, destino todos os anos uma emenda parlamentar para o Hospital Aldenora Bello. Mas este ano, por uma questão política, de mero capricho do governador do Estado, o Aldenora Bello não poderá comprar um novo mamógrafo digital porque, simplesmente, ele não liberou a emenda”, destacou Braide, em discurso na Assembleia durante a semana. O governador nunca se manifestou sobre o caso.

Para o deputado Adriano Sarney, Flávio Dino reforça, a cada novo ato ou declaração, sua imagem de gestor incoerente e pouco afeito à solução democrática de conflitos.A verdade é que o governador Flávio Dino seue agindo como se fosse um juiz, que detém o poder de definir os destinos de outros com uma canetada só. Não é. Ele é um representante do povo que o elegeu e deve agir como tal, debatendo, discutindo, não agredindo adversários. Ainda mais quando cobra dos outros uma postura que ele próprio não tem”, ressaltou.

2 comentários sobre “Flávio Dino vetou mais de R$ 12 milhões em emendas de oposicionistas para a Saúde

  1. Carvalho disse:

    Robert, compreendo que não resta nenhuma dúvida que devemos repudiar a atitude negativa do chefe do poder executivo estadual em negar emendas parlamentares que teriam como fim melhorar a vida da população, ainda mais quando se pode interpretar que a atitude em questão é baseada em revanchismo político. Acredito também que esse julgamento tem que ser feito por brasileiros e maranhenses cansados dos seus políticos em geral que só pensam em sua própria conveniência. O apontamento meramente político e interesseiro serve apenas pra mostrar a imoralidade recorrente também daqueles que apontam essa “ação vingativa” como justificativa para não criticar a atitude “tendenciosa” dos senadores maranhenses. É recorrente a prática seletiva e baseada em critérios meramente políticos quando estes tem que trabalhar por recursos que seriam usados em melhorias para o maranhense, principalmente pelo fato de não estarem alinhados momentaneamente ao governo estadual. Em suma, também nunca estão alinhados com o pensamento de melhorar a vida das pessoas que seriam alcançadas. A propósito disso e analisando por esse ângulo Roberto Rocha destrói o mito que tentou criar em torno de si a respeito de sua postura como senador. Ele é apenas, mais do mesmo.

    • Robert Lobato disse:

      Resposta: Acho que você comprou a versão comunista do caso, tudo bem. Mas, ao menos se dê o direito de ouvir a versão dos senadores. Eles deram entrevista sobre o assunto. O resto é desinformação ou má-fé.

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