Especialista em pesquisas, Daniel Mendes, vê prática criminosa de alguns institutos no MA

O especialista em pesquisas eleitorais, jornalista Daniel Mendes, postou um interessante e instigante texto na sua página no Facebook sobre as famosas pesquisas “Tabajaras”.

Vale a pena ler e refletir sobre os questionamentos levantados pelo talentoso Daniel Mendes. Confira.

TEM UM CRIMINOSO Á SOLTA

No Maranhão, no mesmo período, dois institutos de pesquisas de opinião divulgam resultados com uma discrepância superior a 30 pontos percentuais. Esses números estão muito além de qualquer possibilidade de erro metodológico, erro amostral ou erro estatístico. Não há como dizer de outro modo: alguém está cometendo um crime, manipulando resultados e tripudiando da boa-fé da população.

Alguns blogs e veículos tratam da questão como se fosse uma piada. Não É! Deveriam tratar como um problema criminal, de interesse público.

Primeiro ponto: os dois institutos são filiados a ABEP – Associação Brasileira de Entidades de Pesquisa? Se sim, então estão sujeitos aos códigos de autorregulamentação e deveriam ser submetidos ao Conselho da entidade, para uma averiguação.

Segundo ponto: quem são os estatísticos que assinam os resultados e colocam sua reputação profissional em jogo? Será que o Conselho Regional de Estatística não pode ser acionado para preservar o bom nome da entidade e o padrão científico da profissão? Vai ficar calado?

Terceiro ponto: as Universidades, que tem cursos de estatística, não podem ser provocadas a manifestar uma posição? Vão permitir que seus cursos sejam vistos como fábricas de charlatães?

Quarto ponto: o PROCON nacional não pode ser acionado, uma vez que resta manifesta a intenção manipuladora de pelo menos um dos institutos?

Quinto ponto: os proprietários dos institutos não podem ser chamados para um cara-a-cara em algum veículo de comunicação, para esclarecer as divergências?

Sexto ponto: não pode o Ministério Público exigir que ambos os institutos forneçam todos os cruzamentos das pesquisas, em detalhes, para que sejam investigadas as principais discrepâncias?

Sétimo ponto: os partidos políticos vão ficar calados, assistindo o nome de suas agremiações ser usado para ludibriar o universo dos eleitores?

Enquanto pesquisas de opinião forem tratadas como meras ferramentas do jogo político, sem qualquer responsabilidade pública, estaremos sujeitos a esse tipo de crime que, em última análise, não passa de um crime de corrupção, como tantos outros. No caso, corrompe-se a esfera pública.

Tem um criminoso à solta! Vai todo mundo fingir que não está vendo?

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